Nossos Medos
Pelas ladeiras da pequena cidade, sozinho eu seguia. Caminhando entre becos, casarões, equilibrando-me sob as pedras, e me escondendo sob a beira de seus telhados antigos devido à chuva que sem anunciar se pôs a cair. Eu parecia ser o único ser vivo a caminhar naquela cidade, só se via clarões de lampiões, o ringirem das portas e janelas, as namoradeiras que simplesmente persistiam em estampar um sorriso em suas belas faces, e também se podia ouvir o latir dos cachorros que pareciam assustados com alguém ou alguma coisa. Nunca tinha parado para observar o quão estranho e assustador era aquela cidade ao anoitecer, o silêncio, a solidão, ninguém pela rua nem na praça. A velha igreja mesmo com suas portas fechadas não abria mão de badalar o sino de hora em hora anunciando que o tempo por ali mesmo que de forma quase não notável também passava, as palmeiras pareciam dançar abraçadas devido ao vento. Resolvi parar por um instante para me esconder da chuva debaixo de um puxado que fazia parte do centro da pequena cidade. Foi quando nesse momento percebi uma sombra, senti-me angustiado, pois eu olhava e não via ninguém. Seria alguém me seguindo, pensava comigo mesmo. sem perceber comecei a caminhar mesmo debaixo de chuva. A sombra persistia em me seguir, e o medo começou a nos fazer companhia. Quando dei por mim eu já estava a correr por entre as ruas estreitas da cidade. Eu me escondia, mas a sombra continuava me seguindo,era uma força estranha, algo que assombrava os meus passos. Foi quando pude ver que a sombra que me seguia era um esqueleto, corri mais ainda que eu pudesse me perdi por entre as casas, e o esqueleto continuava correndo atrás de mim, estava realmente disposto a me perseguir. Corri... Corri até não agüentar mais, quando me dei por vencido,sentei-me nas escadarias de um casebre sem entender o acontecido. Até hoje me pergunto, como pude ter sido tão tolo assim, correndo de um esqueleto tendo um esqueleto em mim.
Por : Fabiano Pacheco
Nossa, sério eu tenho o habito de ler imaginando uma série de finais possíveis, como num estranho jogo de xadrez, a desfecho da narrativa foi-me surpreendente, foi uma sacada muito inteligente, mas... porque fugir de uma esqueleto se em nós há um esqueleto???? Bom, vivemos fugindo de nós mesmo, de nossos hábitos ou vícios, para não sermos julgados ou para agir contra nossos desejos por achar que seja o certo. Não conheço quem não tenha "esqueletos no armário". Meu sonho mais infantil é correr pelos campos, com uma raposa, igual o pequeno príncipe, e deixar os esqueletos caírem, inclusive o meu, e me fazer de papel picado e ser levado pelo vento...
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